quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

O professor deve ligar “constantemente” números muito abstratos a exemplos concretos


O professor deve ligar “constantemente” números muito abstratos a exemplos concretos


Se três é maior que dois, então um terço deve ser maior que um meio, certo? Errado. Apesar disso, crianças cometem esse tipo de erro. Segundo cientistas da Universidade Concórdia, em Montreal (Canadá), o professor precisa fazer constantemente a ligação entre números muito abstratos, como 1/3 e 1/2, e exemplos concretos. Mas o professor já não faz isso? Os livros didáticos já não estão cheios de fatias de pizza, gomos de barra de chocolate, frutas cortadas ao meio? Sim, mas a palavra-chave é “constantemente”. Helena Osana, professora na Concórdia, e Nicole Pitsolantis, doutoranda, testaram essa hipótese com alunos da quinta série e da sexta. Seus resultados mostram que, quando o professor usa exemplos concretos para ilustrar o que está dizendo (por exemplo, desenhos de pizzas, ou linhas fracionadas, ou qualquer imagem que permita à criança ver a ideia), e quando faz isso constantemente, a criança entende melhor a matéria. Os professores já usam a ilustração da pizza quando falam de frações, diz Helena. “O problema é que eles deixam exemplos como esse de lado cedo demais.” Em outras palavras, sempre que o professor usar a ideia de 3/4, deve ir à lousa e desenhar, por exemplo, 12 bolinhas, e depois circundar 9 dessas bolinhas. “Nossos dados mostram que o professor deve fazer continuamente a ligação entre a fração e a ilustração mais concreta.” Nicole, que dá aulas para crianças dessa idade, diz que ficou surpresa com o grau de confusão delas quando o professor deixa de mencionar exemplos concretos cedo demais. Caso a criança compreenda mal a ideia de fração, terá muita dificuldade mais tarde quando começar a tratar da fração de alguma coisa, isto é, de uma fração multiplicando outro número. Embora 1/2 seja maior que 1/3, 1/2 de 100 é menor que 1/3 de 153 — eis outra ideia que as crianças demoram a entender e, em média, só a entendem corretamente depois de vê-la associada a muitos exemplos práticos.

Fonte: Revista Cálculo

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